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Represar o Mar Vermelho? Para quê?
| e-Boletim - Ano 7 - 13 de Dezembro de 2007 |
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| Responsabilidade global
Represar o Mar Vermelho, eliminando sua ligação com os outros oceanos da Terra, para construir uma represa capaz de gerar 50 gigawatts de eletricidade. A proposta impressiona, mesmo antes de se ter tempo para analisá-la com mais cuidado. A pergunta que vem mais prontamente é: quanto vale o progresso? Ainda que já denote um discurso e um julgamento, a questão é válida. Será que podemos alterar nosso planeta em tão larga escala para atender às regras de um sistema econômico que se caracteriza por gerar desigualdades e que não sabe distribuir os seus frutos?
Mas o julgamento fácil e apressado nunca é uma boa recomendação e uma olhada no mapa dos países que irão se beneficiar do projeto, caso ele venha a ser realizado, traz ainda mais dúvidas. Basta falar em Etiópia e Somália para se perceber que se trata de uma das regiões mais pobres do globo. Por outro lado, lá está também a Arábia Saudita, com a maior reserva de petróleo do mundo.
Outro argumento que se levantou na imprensa internacional tão logo o projeto foi divulgado questiona a legitimidade dos habitantes de países que já se desenvolveram para opor-se ao desenvolvimento dos povos mais necessitados. Ainda mais sob a alegação de que eles estariam destruindo bens que são de toda a humanidade, quando esses próprios países desenvolveram-se à custa da exploração sem cuidado de seus territórios, que também poderia argüir-se serem de todos.
Não gosto deste último argumento, porque tento ver a humanidade como um todo, tenho certeza de que este é o nosso futuro. E erros passados não devem servir como justificativa para novos erros. Mas também não gosto de uma oposição pura e radical. Fica fácil falar o que aqueles países não podem fazer - o que não se pode esquecer que isso traz a responsabilidade de oferecer alternativas. Eles têm direito ao desenvolvimento e de matar a fome de seus cidadãos.
Se não temos a solução, por onde poderíamos então pelo menos começar a procurá- la? Nas novas tecnologias? Talvez. Na semana passada falamos das opções estratégicas por fontes de energia que ainda são muito caras - mais especificamente sobre um coletor solar que poderá enviar a energia para a superfície por meio de um feixe de microondas. Não seria estratégico matar a fome de milhões de pessoas? Por que não testar a nova tecnologia justamente abastecendo dois dos países mais pobres do mundo? Os Estados Unidos estão em dívida com o planeta ao não assinarem o protocolo de Kyoto com o frágil argumento de que o protocolo não é bom o suficiente. Seria uma primeira parcela interessante para o resgate de uma dívida muito maior.
Boa leitura.
Agostinho Rosa Editor |
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Escrito por Professora: Leila Garrido às 18h09
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